06/10/2016

Estórias e desenhos

Não gosto de começar um desenho, que quatro anos depois de o fazer assim, em cadernos, ainda me intimida. Gosto quase sempre do durante, e gosto muito do depois. Gosto daquilo que eles mostram e por vezes também escondem. Gosto daquela imagem colorida que grava para sempre um momento, um lugar ou uma emoção. Gosto de escrever o que dizem aqueles de quem gosto, enquanto finjo não ouvir nada. E gosto ainda quando o mesmo desenho conta mais que uma estória, e tem mais gente que aquela que parece que tem.

I don´t like to start a drawing, after four years doing it in sketchbooks, it still intimidates me. I often like when I´m drawing, and in the end, I really like the sensation. I like what they show andwhat they  sometimes hide. I like the image that records forever that moment, a place or an emotion. I like to write what they say while I pretend not to hear anything. And like even more when the same drawing has more than one story, and has more people than the ones that looks like it has.


04/10/2016

Tiago Cruz

O final daquela tarde de Sábado, no Encontro do Porto, teve uma apresentação e conversa com o Tiago Cruz. O Tiago, para além dos desenhos extraordinários que faz, tem também uma visão muito própria dos cadernos e dos seus desenhos. Falou do desenho exploratório de uma esfera mais privada, e um desenho expositivo de carácter mais público. Falou das imagens fantasma, quando o desenho repassa para o outro lado, e também da ideia peregrina e talvez inusitada da venda de um dos seus cadernos. Independentemente de não concordar com a venda de um caderno, mesmo que seja expositivo e não exploratório, tenho-o como um dos melhores exemplos de diário gráfico que conheço.
É um verdadeiro craque.

The end of that Sauturday afternoon, at the USkP meeting in Oporto, had a presentation and conversation with Tiago Cruz. Tiago, in addition to the extraordinary drawings  he does, he also has a very particular vision of sketchbooks and its drawings. He spoke about the exploratory drawings from the private sphere, and an exhibition drawing more related to public exposition. He spoke aboute ghost drawings, when the drawings passes to the other side, and also the unusual idea of selling one of his sketchbooks. Regardless of whether you do not agree with the sale of a sketchbook, even if it expository and not exploratory, I have him as one of the best Diários Gráficos I know.
It is a true expert on it.


01/10/2016

CONVITE

No próximo dia 18 de Outubro, pelas 19h, vou repetir a minha Lecture do Simpósio de  Manchester. Vai ser no Museu Arqueológico do Carmo em Lisboa. Sintam-se todos convidados!

On the next October 18th, I´ll repeat my Lecture from the Manchester Simposium. It will be at Museu Arqueológico do Carmo in Lisboa. You are invited!


Sé do Porto


27/09/2016

Rua das Flores - Porto

Neste desenho saí completamente fora de pé. Não é bem o meu género nem gosto muito dele, mas era Domingo de manhã, não dava para mais...

In this drawing I was completely out of my confort zone. It´s not my style and I didn´t like it, but It was done in a Sunday morning, too difficult for me...


22/09/2016

Cláudia Mestre

Conheci a Cláudia Mestre no único Encontro USkP em que não desenhei, o da Praça da Alegria, que depois culminou no lançamento do livro da Marta Teives. Nesse dia não fiz um único desenho, só conversei.
A Cláudia é uma das pessoas de quem mais gosto nisto dos desenhos em cadernos. Ando a adorar os seus recentes desenhos de pessoas, as estórias e a caligrafia encantadora que faz com um pau de cana a molhar em ecoline. Acho que nunca a tinha desenhado. Fi-lo na passada 6ªF, a caminho do Porto, sentados lado a lado no inter-cidades. A Cláudia foi também a grande vencedora do nosso primeiro GO SKETCH, e acho que foi muito, mas muito merecido. Fartou-se de desenhar e foi uma óptima companhia.

I met Claudia Mestre in one USkP meeting, the single one that I did not draw, the Praça da Alegria meeting, which later ended in the launch of Marta Teives book. On that I day did not make a single drawing, I only talked.
Claudia is one of the persons who I like more drawings in this sketchbooks thing. I love her recent drawings of people, the stories and the lovely calligraphy using a cane stick with ecoline. I think I had never drawn her. I did it last Friday on the way to Oporto meeting, seated next to me in the train. Claudia was also the winner of our first GO SKETCH, and I think it was very, very well deserved. She draw a lot and she is also a great friend.


20/09/2016

Ribeira - Porto

A propósito deste dia, deste lugar e desta situação, a minha amiga Carla Silveira escreveu um post delicioso em que dizia que um Urbansketcher é um pedinte. Pede que não o pisem, que não tropecem nele, pede que não sujem o chão das cidades onde nos sentamos, pede que não nos expulsem de sítios. Um urbansketcher só pede para passar despercebido... bem, nem todos.

Quando escolhemos um lugar para desenhar, somos umas espécie de cães à procura do melhor pneu de carro para urinar. Farejamos e roçamos-nos nas paredes e tudo. Não temos vergonha alguma, metemos conversa com quem já está no chão a desenhar, elogiamos-lhe o spot, invejosos daquele pedacinho de lajedo de pedra. 

Este desenho foi feito na Ribeira do Porto, este Sábado, hiper animada de gente e músicas descontroladas que saiam de todos os sítios. Farejei os cantinhos todos, e achei que não haveria problema em sentar-me, confortavelmente, num assento de uma vespa, estacionada junto da parede. Comecei o desenho, e daí a nada, um rapaz chegou-se "à minha beira" apontando-me o dedo indicador que abanava de um lado para o outro:
"Esta moto é sua?", perguntei.
"Hã-hã", disse-me sem tirar os óculos de sol dos olhos. 
Pedi muita desculpa, envergonhado, saindo de mansinho daquele assento fofinho em pele preta. Sentei-me no chão, a pensar no atrevimento que tinha atravessado a minha mente. 
E é isso, um urbansketcher é um pedinte e ao mesmo tempo um malandro.

In this Saturday, about the place and the situation, my good friend Carla Silveira wrote a delicious post saying that an Urbansketcher is beggar. We asked not to step on us, or stumble, a not to put garbage on the floor where we sit, etc. An urbansketcher only ask to be unseen... well, not all.

When we chose a place to draw, we are a kind of dogs, looking for the best tire to urinate. We smell and we touch the walls. We have no shame, we spoke with others already on the floor, praise him the spot, with envy of that smal sqm of stone.

This drawing was done in Oporto Ribeira, this Saturday, hyper animated with uncontrolled music and people, coming from everywhere. I sniffed all places, and I thought there would be no problem if I sit comfortably in a seat of a scooter parked next to the wall. I started the drawing, and then a young man came up close to me, finger pointing the indicator moving from one side to the other:
"This motorcycle is yours?" I asked.
"Hã-hã," he said.
I said sorry, ashamed. I sat down in the floor, thinking on the wrong idea that had crossed my mind.
And that´s it, a urbansketcher is a  Beggar and a scoundrel.



Créditos fotográficos: Carla Silveira